19/11/2008

Arquitetura de papel e alma.


Maquetes de Papel foi um livro que sempre quis comprar, devido a sua proposta de exercitar o pensamento de arquitetura por meio de modelos feitos de papel, além disso, o visual da sua publicação chama atenção, com alto relevo na capa de um dos projetos descritos no livro e os ondulados das bordas recuadas nos principais capítulos, como uma sobreposição de curvas de nível..., frescurites arquitetônicas, mas que fazem toda a diferença.
Como me faltou entusiasmo financeiro para adquiri-lo, pude lê-lo quando a biblioteca da faculdade o adquiriu e para a minha satisfação ele é muito mais do que uma diagramação bem sacada é sobre tudo, um respiro, frente a textos enfadonhos sobre projetos de arquitetura, sua linguagem reproduz a oralidade do Paulo Mendes da Rocha, em um curso ministrado por ele na Fundação Vilanova Arigas de Curitiba, em 2006 e por isso, soa mais como uma conversa descompromissada (e até apixonada).
Em menos de uma tarde é possível devorar suas 64 páginas e ter uma novo fôlego para as investidas projetuais. Durante essa pequena aula, ao falar de três projetos de arquitetura que passaram por sua vida profissional, Paulo Mendes da Rocha expõem a utilização como o rasgos e dobraduras no papel (kirigami?) têm as primeiras idéias da tridimensionalização dos croquis, possibilitando o exercício da lógica espacial. Toda essa lógica surge para leitor como a busca por um “fazer” arquitetônico, onde as possibilidades morais, técnicas e estéticas aparecem e o arquiteto pode amadurecer o discurso por uma transição do imaterial (idéia), para a uma possível materialidade (projeto).
É livros assim que ajudam a pensar que o ensino do projeto não deveria ser restringido como uma disciplina convencional, mas como uma oficina , que antes de buscar uma avaliação do aluno apenas por peças gráficas de um projeto tido como arquitetônico, essa dinâmica deveria ajudar a estruturar um pensamento para que o aluno estreitasse o embate entre a teoria e a prática, para que cada estudante se dispusesse a estruturar o seu modo de pensar e fazer arquitetura, por meio de “n´s” possibilidades na produção dos estudos espaciais, estéticos e técnicos. Vale conferir e tirar suas próprias conclusões.
Para pré e pós colusões literárias, vá no Vitruvius

16/10/2008

Guerrilha Urbana


A Guerrilha Urbana, em seu próprio título é panfletário e ordinário, conclamando os crédulos e desavisados a ação contra as estruturas sociais privadas vigentes, que se conformam e se atrelam a negócios que as distanciam dela mesma. Porém, a Guerrilha não é tão simples ou infantil como aparenta, pois é mortal e urge pela vida urbana, ou o que quer que isso seja.
Ao contrário dos canhões, lança chamas e armas de destruição em massa, sua luta coíbe a violência socialmente construída da poluição, da privatização da coletividade, da banalização da marginalidade, da mascara democrática que sufoca as multidões atropeladas em sua busca por oportunidades e sobrevivência.
a nossa paisagem é cinematográfica, a nossa caridade é televisiva e nossa consciência é medida pelo IMETRO.
Salvem as Saúvas, marchando em nossos lares, praças, ruas, shoppings centers, escolas, bares, banco, praias, fábricas, escritórios, hospitais. Em todo lugar, sem licença ou culpa, morrendo esmagadas, sufocadas, envenenadas como pragas que persevera em escalar, construir, procriar e ocupar nossos vazios, como guerrilheiras que são.
Espero que você acorde com boca cheia de formigas, pois esse da vai ser o primeiro de sua morte e o primeiro da vida urbana!

-Imagem de http://superwormie.deviantart.com/-

11/10/2008

Ossário



Alexandre Orion http://www.alexandreorion.com/_orion.htm é um terrorista urbano. Com suas imagens negras, que ora personificam personagens típicos da metrópole como a prostitua e o garçom, ele cria outros personagens que questionam o transito do lugar, pois de alguma forma, existe a expectativa da interação das pessoas com suas pinturas chapadas, as quais são imortalizadas pela máquina fotográfica. Obra essa que é efêmera e busca na essência do grafite uma espécie de marginalidade urbana, que ora é desperta curiosidade e surpresa, ora é simplesmente apagada para nunca mais fazer falta, assumindo a nossa realidade em que as coisas se consomem em uma aceleração cada vez mais assombrosa.
Há algum tempo voltei a me deparar com mais uma intervenção do artista por vinhetas da MTV, intitulada Ossário, atentando o espectador a pensar sobre a cidade que nos consome e deixa suas marcas impiedosas da fuligem que se acumula nas paredes dos túneis e das nossas mentes, que ignoram a existência do urbano, como um local apenas de passagem a nossas glórias particulares cotidianas.
Nesse vídeo em questão a arte marginal revela a cidade o câncer social por uma mortalha de caveiras desenhadas na fuligem. Durante essa investida, a polícia e EMURB (Empresa Municipal de Urbanização) aparecem para coibir a ação, até o desfecho que coloca uma lama no assunto, que escorre densa e negar para o ralo social, da hipocrisia sacramentada de que o urbano está cada vez menos humano.

08/10/2008

5 Anos


As pessoas já dizem suspirando que passaram cinco anos, algumas porém, foram concretizar o acumulo desse tempo de aprendizado na prática...; alguns com mais chances do que os outros e mais esperança que talvez tivessem feito a escolha certa.
Ser arquiteto é a titulação, mas a consagração pela realização é incerta, às vezes envolta em frustrações, de estágios cheios de aulas, noites mal dormidas e estresse. Logo parece, que a única satisfação é abandonar tal estágio e encarar o emprego dessa carga.
Atrás ficaram outros tantos de tantas turmas que compartilharam das mesmas experiências desse mundo acadêmico e "criativo"; por que não. Das primeiras turmas, pro presente, muitos correram para a linha de chegada, alguns, entretanto terão nesse tempo olhado pros gramados da Unesp de Presidente Prudente esperando de que em algum canto prospere algo além da titulação, o encontro com o mundo criativo e de realizações pessoais.
Quem sabe daqui a algumas décadas esses jovens retornem de outras estadias e viagens, e olhem os espaços do campus para ver que ali as frustrações e os sonhos que ficaram impregnados na lembrança puderam construir para outros tantos um mundo possível, sem pretensões revolucionárias, mas apenas na vontade de que as coisas pudessem ser melhores, pra quem quer que seja. Assembléias, semanas de curso, intervalos, caminhos e percursos entre arvores, com o sol de rachar. Tudo isso ao passar fica e se transforma em cada um de nós, e nessa contenda, talvez esteja o ponto de fuga para um curso de arquitetura, além da acepção de dicionário ou das revistas especializadas, de qualquer FAU da vida, somos agora o que somos, com CA, sem RU, com coordenação ou descoordenados em nós mesmos, parabéns e nada mais!