11/10/2008

Ossário



Alexandre Orion http://www.alexandreorion.com/_orion.htm é um terrorista urbano. Com suas imagens negras, que ora personificam personagens típicos da metrópole como a prostitua e o garçom, ele cria outros personagens que questionam o transito do lugar, pois de alguma forma, existe a expectativa da interação das pessoas com suas pinturas chapadas, as quais são imortalizadas pela máquina fotográfica. Obra essa que é efêmera e busca na essência do grafite uma espécie de marginalidade urbana, que ora é desperta curiosidade e surpresa, ora é simplesmente apagada para nunca mais fazer falta, assumindo a nossa realidade em que as coisas se consomem em uma aceleração cada vez mais assombrosa.
Há algum tempo voltei a me deparar com mais uma intervenção do artista por vinhetas da MTV, intitulada Ossário, atentando o espectador a pensar sobre a cidade que nos consome e deixa suas marcas impiedosas da fuligem que se acumula nas paredes dos túneis e das nossas mentes, que ignoram a existência do urbano, como um local apenas de passagem a nossas glórias particulares cotidianas.
Nesse vídeo em questão a arte marginal revela a cidade o câncer social por uma mortalha de caveiras desenhadas na fuligem. Durante essa investida, a polícia e EMURB (Empresa Municipal de Urbanização) aparecem para coibir a ação, até o desfecho que coloca uma lama no assunto, que escorre densa e negar para o ralo social, da hipocrisia sacramentada de que o urbano está cada vez menos humano.

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