
Maquetes de Papel foi um livro que sempre quis comprar, devido a sua proposta de exercitar o pensamento de arquitetura por meio de modelos feitos de papel, além disso, o visual da sua publicação chama atenção, com alto relevo na capa de um dos projetos descritos no livro e os ondulados das bordas recuadas nos principais capítulos, como uma sobreposição de curvas de nível..., frescurites arquitetônicas, mas que fazem toda a diferença.
Como me faltou entusiasmo financeiro para adquiri-lo, pude lê-lo quando a biblioteca da faculdade o adquiriu e para a minha satisfação ele é muito mais do que uma diagramação bem sacada é sobre tudo, um respiro, frente a textos enfadonhos sobre projetos de arquitetura, sua linguagem reproduz a oralidade do Paulo Mendes da Rocha, em um curso ministrado por ele na Fundação Vilanova Arigas de Curitiba, em 2006 e por isso, soa mais como uma conversa descompromissada (e até apixonada).
Em menos de uma tarde é possível devorar suas 64 páginas e ter uma novo fôlego para as investidas projetuais. Durante essa pequena aula, ao falar de três projetos de arquitetura que passaram por sua vida profissional, Paulo Mendes da Rocha expõem a utilização como o rasgos e dobraduras no papel (kirigami?) têm as primeiras idéias da tridimensionalização dos croquis, possibilitando o exercício da lógica espacial. Toda essa lógica surge para leitor como a busca por um “fazer” arquitetônico, onde as possibilidades morais, técnicas e estéticas aparecem e o arquiteto pode amadurecer o discurso por uma transição do imaterial (idéia), para a uma possível materialidade (projeto).
É livros assim que ajudam a pensar que o ensino do projeto não deveria ser restringido como uma disciplina convencional, mas como uma oficina , que antes de buscar uma avaliação do aluno apenas por peças gráficas de um projeto tido como arquitetônico, essa dinâmica deveria ajudar a estruturar um pensamento para que o aluno estreitasse o embate entre a teoria e a prática, para que cada estudante se dispusesse a estruturar o seu modo de pensar e fazer arquitetura, por meio de “n´s” possibilidades na produção dos estudos espaciais, estéticos e técnicos. Vale conferir e tirar suas próprias conclusões.
Para pré e pós colusões literárias, vá no Vitruvius
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